Hoje fui ao barbeiro, perto de casa. Há muitos anos que ali vou, desde que mudei de casa e de cidade.
Habitualmente, os barbeiros são lugares de conversa. Ali se comentam os acontecimentos da vida e do país, e se exercita a arte da coscuvilhice, que não é apanágio só das mulheres.
Como não sou muito falador, não alinho muito neste tipo de conversas. Mas hoje, para quebrar o silêncio e porque era o único cliente, decidi falar: "Então como tem corrido a vida?" É a frase com que, normalmente, início uma conversa. "Tem corrido bem, o que é preciso é saúde" - disse. Concordei absolutamente.
Disse-me que está ali há 26 anos e que já trabalha na arte há muitos mais. Por sinal, pelo que me contou, é uma tradição de família que já remonta ao bisavô.
E ficamos de novo em silêncio enquanto apreciava a dedicação e arte com que o barbeiro me aliviava das excrescências capilares que me ocultavam o ar.